sábado, maio 12

Adeus a Aleto



Adeus a Aleto, do escritor Roberto Muniz Dias, nos remete prontamente à ideia de despedida. É o adeus do inspirado narrador às erínias que atormentam sua vida, simbolismos de seus medos, seus anseios e suas angústias do passado – expurgados numa narrativa alucinante, quase onírica, que se descortina a partir do momento em que o narrador encontra Nikov, um misterioso jovem russo, com quem se envolve sentimental e psicolo-gicamente.

Na mitologia grega, as erínias eram a personificação da vingança que puniam os mortais, sendo Aleto a deusa implacável que perseguia os criminosos em seus sonhos e atormentava-os até levá-los à loucura. Temidas pelos mortais, seus nomes não eram pronunciados jamais, e em seu lugar pronunciava-se algo como “bondosas” ou “benevolentes” – eufemismos que passam distante da narrativa ousada, corajosa e transparente desta obra. Nela não há sangue derramado, mas há o poder divino dado ao escritor que ceifa as vidas de seus personagens ao seu bel prazer e se vê perseguido por estas almas errantes em busca de explicações ou, quem sabe, de uma segunda chance.

São os personagens, reais ou fictícios, que dão o ritmo da narrativa e levam o autor a trilhar uma aventura em torno de si próprio e do mundo.  Sem medo, o autor se desnuda e se entrega de corpo e alma à criação de cada perfil. É notória a presença das próprias angústias pessoais do autor em cada linha do texto, de suas buscas, de suas crenças, de sua bondade ou perversidade, o que dá à obra uma sensação intimista e verossímil.
(Trecho do texto de apresentação de Kiko Riaze)

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